Guitarra de sete cordas

Me perguntaram sobre guitarras de sete cordas, origens, afinações, usos, etc…

Vamos nessa!

As primeiras aparições da sétima corda foram entre meados do século XVIII, no México, e no início do século XIX, na Rússia. Até o início do século XX, instrumentos de sete cordas (violões ou seus parentes próximos, como a tiorba, a “archlute” e a “semistrunnaya gitara”, ou violão russo) já estavam difundidos pelo mundo.

No Brasil, o choro foi o primeiro estilo musical a ver o advento da sétima corda, seguido de perto pelo samba.

No final dos anos 30, a Epiphone construiu uma guitarra de sete cordas para o guitarrista George Van Eps, depois, nas décadas de 60 e 70 George Van Eps usava uma guitarra Gretsch de sete cordas, modelo assinado por ele próprio. Essa foi provavelmente a primeira guitarra de sete cordas a ser produzida em série e comercializada.

O início do boom da guitarra de sete cordas foi estrelado por Steve Vai com sua Universe, desenvolvida em conjunto com o pessoal da Ibanez. Em 1990, a UV7 foi a primeira guitarra de sete cordas a ser produzida em massa. Em 1994, quando a banda Korn começou a usar as Universes, não havia mais volta: guitarras de sete cordas não sairiam mais de cena, especialmente para aqueles que procuravam o alcance extra e aquelas notas graves. Pancadaria, alguém?

Na minha experiência, no início parece demais que a sétima corda é um Mizão esquisitamente desafinado, o fim do braço é um pesadelo quadriculado e tudo faz barulho demais quando se liga a distorção. É um instrumento para bravos, sem dúvida!

O instrumento com maior variedade de afinações dentre os instrumentos de sete cordas foi o violão russo, fora sua afinação tradicional D, G, B, D, G, b, d, aqui estão algumas das alternativas para o violão russo: (todas as afinações estão grafadas do grave pro agudo)

G, C, E, G, C, E, G

F, A#, D, F, A#, D, F

E, A, B, D, G, B, D

E, G, B, D, G, B, D

C, G, B, D, G, B, D

D, G, C, D, G, A#, D

B, F#, B, E, A, D, F#

A, E, A, D, G, B, E

Essa última é uma das afinações mais usadas hoje em dia para a guitarra, tanto no jazz quanto no rock, é algo como uma afinação Drop-D muito mais pesada! Outra muito comum é usar a sétima corda em B e o resto delas afinadas normalmente, B, E, A, D, G, B, E.

O pessoal do samba e chorinho usa muito a sétima corda em C também. Provavelmente a mais simples para se tocar seja a que usa a sétima corda em A, recomendo paciência e experimentação aqui… Em qualquer afinação, é um animal totalmente diferente de uma guitarra de seis cordas. Se suas mãos são pequenas e/ou vc está pensando em tocar com distorção, prepare-se… abafar as sete cordas é um bocado mais difícil do que abafar uma seis cordas…

Quanto ao uso, sinceramente, em qualquer lugar que caiba uma guitarra de seis cordas, uma guitarra de sete cordas pode funcionar, desde que usada com bom gosto. A regra básica é lembrar sempre que provavelmente já há um baixista tocando a região grave, então cuidado para não pisar nos pés do colega, sim?

Grande abraço!!

Edu

About Edu Élleres

Guitar teacher turned neuroscientist turned guitarist, passionate and obsessed with finding better ways of teaching music.
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7 Responses to Guitarra de sete cordas

  1. Henrique Henriques says:

    Lenny Breau, guitarrista de Jazz, acostumado a criar melodias e harmonias usando os harmonicos dos acordes (ou “harp harmonics”) também usou uma guitarra de 7 cordas.
    Mas ao invés de usar uma corda mais grave, a guitarra dele tinha uma corda mais aguda, justamente com o fim de usar os “Harp Harmonics”.

    • Edu Élleres says:

      Exatamente, irmão! E como todos os outros guitarristas que fizeram essa escolha, abriu uma conta na loja de música mais próxima, porque a corda mais aguda quebrava demais…
      Abraço!!!

      Edu

  2. Marcelo Souza says:

    Antecipando a pergunta da noite:
    Edu, vc conhece algum método de treino de força/resistência que não precise da guitarra e seja efetivo, sem destruir os tendões?

    Abraços!

    • Edu Élleres says:

      Marcelo, eu vou continuar a pesquisa que comecei aqui na internet e vou conversar com um amigo médico sobre isso, amanhã eu posto algo sobre o assunto, ok?

      Abraço!!

      Edu

  3. Saulo Wilson de Sá Roriz says:

    Edu, gostaria realmente de saber uma forma de se estudar e aprender os modos gregos sem ter que decorar aqueles malditos shappes!

    • Edu Élleres says:

      Ah, os modos…
      Fascinante assunto, meu amigo!
      Vou escrever sobre eles amanhã, irmão. Hoje o sono está batendo forte…
      Amanhã de manhã, novo post, tema: Modos da escala maior!!

      Abraço!!

      Edu

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